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LEI ORDINÁRIA Nº 5, 08 DE JULHO DE 2020
Assunto(s): Administração Municipal
Em vigor

08DEFINE e CARACTERIZA os benefícios eventuais no âmbito da política pública de assistência social no Município de Barra do Chapéu /SP

JANETE SARTI DO AMARAL, Prefeita Municipal de Barra do Chapéu – Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, FAZ SABER que a CAMARA MUNICIPAL aprovou e ela sanciona e promulga a seguinte lei MUNICIPAL :

 

 

CAPÍTULO I

 

DOS BENEFÍCIOS E SEUS OBJETIVOS

 

Art. 1ºEsta Lei estabelece orientações para a regulamentação da provisão de benefícios eventuais no âmbito da política pública de assistência social no município de Barra do Chapéu , em obediência à Lei n.º 8.742, de 7 de dezembro de 1993 (Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS).

 

Art. 2ºO benefício eventual é uma modalidade de provisão de proteção social básica de caráter suplementar e temporário que integra organicamente as garantias do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, com fundamentação nos princípios de cidadania e nos direitos sociais e humanos.

 

Parágrafo único.  Na comprovação das necessidades para a concessão do benefício eventual são vedadas quaisquer situações de constrangimento ou vexatórias.

 

Art. 3ºO benefício eventual destina-se aos cidadãos e às famílias com impossibilidade de arcar por conta própria com o enfrentamento de contingências sociais, cuja ocorrência provoca riscos e fragiliza a manutenção do indivíduo, a unidade da família e a sobrevivência de seus membros.

 

Art. 4ºA concessão dos benefícios eventuais dar-se-á à pessoa residente no Município de Barra do Chapéu /SP, devidamente cadastrada na Secretaria de Assistência Social e Cidadania  e cuja renda mensal per capita familiar não seja superior a 1/2 (meio)  salário mínimo, nacional vigente ou de acordo com a situação de vulnerabilidade social da família mediante consulta no banco de dados do cadastro único e na ausência de inscrição Cad/único através de parecer social elaborado por técnico da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania.

 

Paragrafo Único: Entende-se por pessoa residente no Município de Barra do Chapéu todo aquele que comprovar moradia por período superior a 90 (noventa) dias, que poderá ser atestado por comprovante de residência (Contas de agua, luz, telefone, contrato de aluguel e etc…) na ausência de comprovante de residência poderá apresentar, declaração assumindo a responsabilidade das informações prestadas sob as penas da lei.

Considerar se a consulta no Cadastro Único sob a emissão da FOLHA RESUMO documento comprobatório de renda, moradia, período de residência, vulnerabilidade social etc. Isentando assim qualquer outro documento de comprovação.

 

CAPÍTULO II

 

DA DENOMINAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E BENEFICIÁRIOS

 

Art. 5ºO benefício eventual, na forma de auxílio-natalidade, constitui-se em uma prestação eventual, não contributiva da assistência social, na forma de bens de consumo, para reduzir a vulnerabilidade provocada por nascimento de membro da família residente no Município de Barra do Chapéu /SP.

 

Art. 6ºO benefício natalidade municipal é destinado à família e terá preferencialmente, entre suas condições:

 

I – Atenções necessárias ao nascituro através de encaminhamentos socioassistenciais;

 

II – Apoio à mãe no caso de morte do recém-nascido;

 

III – apoio à família no caso de morte da mãe.

 

Art. 7ºO benefício natalidade ocorrerá na forma de bens de consumo através de auxílio alimentação.

 

  • 1º Em caso de falecimento do bebê, se detectada a necessidade mediante avaliação técnica, serão fornecidos itens de alimentação para a família.

 

  • 2º O requerimento do benefício natalidade deve ser formulado em unidades do Centro de Referência da Assistência Social – CRAS ou na Secretaria Municipal de Ação Social, por meio de um Assistente Social.

 

Art. 8ºO benefício eventual, na forma de auxílio-funeral, constitui-se em uma prestação eventual, não contributiva da assistência social, em bens de consumo, para reduzir vulnerabilidade provocada por morte de membro da família.

Art. 9ºO acesso ao benefício eventual de auxílio-funeral será para famílias cuja renda per capita seja de até ½ (meio) do salário mínimo ou que comprove a impossibilidade de arcar com os custos do funeral.

 

Art. 10O benefício funeral deverá contemplar urna funerária, incluindo transporte funerário e traslado, pré-acertado com o servidor(a) público(a) em plantão, dentre outros serviços inerentes que garantam a dignidade e o respeito à família beneficiária, mediante avaliação técnica.

 

Art. 11.  O requerimento do benefício funeral e traslado devem ser solicitados logo após o falecimento, na Secretaria de Assistência Social e Cidadania, com profissional de serviço social.

 

Art. 12O benefício eventual de auxílio-transporte constitui-se pelo fornecimento de passagens ou disponibilização de carro da Prefeitura:

 

I – por solicitação do Poder Judiciário, após efetiva comprovação, àqueles que devem ser submetidos à perícia junto a órgãos públicos;

II – aos itinerantes; e

III – às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

IV – por agendamento realizado por técnico (a) de referencia do Município junto a órgãos do governo para efetivação de direitos sócios assistenciais.

 

Art. 13O benefício eventual de auxílio-alimentação constitui-se no fornecimento de alimentação básica para famílias com situação de vulnerabilidade, mediante parecer social, por meio de cestas que conterão, no mínimo, os seguintes produtos:

 

I – 5 kg (cinco quilos) de arroz;

II – 5 kg (cinco quilos) de açúcar;

III – 2 kg (dois quilos) de farinha de milho;

IV – 4 kg (quatro quilos) de feijão;

V – 2 (dois quilos) de macarrão;

VI – 1/2 kg (meio quilo) de café em pó;

VII – 1 kg (um quilo) de sal;

VIII – 2 (duas) latas de óleo.

 

Parágrafo único.  O requerimento do benefício eventual de auxílio-alimentação, bem como hortifrutigranjeiros, deve ser solicitado em unidades de Centro de Referência de Assistência Social – CRAS ou na Secretaria de Assistência Social e Cidadania, com o profissional do serviço social.

 

Art. 14O benefício eventual de auxílio-documentação destina-se ao fornecimento de fotografias de tamanho 3x4cm e taxas de emissão da Cédula de Identidade, e segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito.

 

Art. 15O benefício eventual de aluguel social, na forma de auxílio-moradia, constitui-se uma ação da assistência social em parceria com a Secretaria Municipal de Obras e Serviços e outras entidades, na concessão de moradia às famílias de baixa renda que tenham sofrido perda do imóvel devido a calamidade pública, mediante avaliação técnica.

 

Art. 16O benefício eventual consistente em material de construção se destina a evitar ou diminuir a vulnerabilidade, e oferecer segurança à família, promovendo pequenos reparos na moradia.

 

Parágrafo único.   A doação de material de construção poderá ser concedida até atingir o valor de 2 (dois) salários mínimos vigente, exceto em caso de ser declarada calamidade pública, sempre dependendo de avaliação da Secretaria Municipal de Obras e Serviços e parecer socioeconômico favorável da Secretaria Municipal de Ação Social.

 

Art. 17Terão prioridade ao benefício previsto artigo anterior as famílias residentes em moradias que apresentem situação de risco, insalubres e inadequadas para a sobrevivência humana.

 

Art. 18Será estipulado o prazo de até 30 (trinta) dias após a concessão dos materiais para ser dado início aos reparos, sendo que a mão-de-obra ficará sob a responsabilidade da família beneficiada.

 

Art. 19A equipe técnica do Centro de Referência da Assistência Social – CRAS realizará a fiscalização da utilização adequada dos materiais até o fim dos reparos, ficando terminantemente proibida a venda e/ou cessão do material recebido pelo beneficiário, sob pena de devolução do material à municipalidade, entre outras penalidades cabíveis.

Art. 20Os benefícios auxílio-natalidade, auxílio-funeral, auxílio-transporte, auxílio-alimentação, auxílio-documentação, serão distribuídos de acordo com a previsão orçamentária e financeira.

 

Art. 21Os benefícios auxílio-natalidade, auxílio-funeral, auxílio-transporte, auxílio-alimentação, auxílio-documentação, poderão ser concedidos diretamente a um integrante da família beneficiária, como: mãe, pai, parentes até o segundo grau ou pessoa autorizada mediante procuração.

 

Art. 22Os benefícios de vulnerabilidade temporária envolvendo acontecimentos do cotidiano dos cidadãos, poderão se apresentar de diferentes formas e produzir diversos padecimentos, decorrentes do advento de riscos, perdas e danos à integridade pessoal e familiar, podendo ocorrer por:

 

I – falta de acesso a condições e meios para suprir a reprodução social cotidiana do solicitante e de sua família, principalmente a de alimentação;

 

II – falta de documentação;

III – por situações de desastres e calamidade pública;

 

IV – outras situações sociais identificadas que comprometam a sobrevivência.

 

Art. 23Entendem-se como ações assistenciais em caráter de emergência, aquelas provenientes de calamidade pública provocada por eventos naturais e ou epidemias.

 

Art. 24Enquadra-se como medida emergencial a concessão dos seguintes benefícios eventuais:

 

I – abrigos adequados;

 

II – alimentos;

 

III – cobertores, colchões e vestuários;

 

IV – filtros.

 

Art. 25No caso de calamidades, situações de caráter emergencial devem ser realizadas ações conjuntas das políticas setoriais municipais, no atendimento aos cidadãos e às famílias beneficiárias.

 

Art. 26As provisões relativas a programas, projetos, serviços e benefícios diretamente vinculados ao campo da saúde, educação, integração nacional e das demais políticas setoriais não se incluem na modalidade de benefícios eventuais da assistência social.

 

CAPÍTULO III

 

DAS COMPETÊNCIAS

 

Art. 27Ao Município compete:

 

I – a coordenação geral, a operacionalização, o acompanhamento, a avaliação da prestação dos benefícios eventuais, bem como o seu financiamento total ou compartilhado com outras esferas de governo;

 

II – a realização de estudos da realidade e monitoramento da demanda para constante ampliação da concessão dos benefícios eventuais;

 

III – expedir as instruções e instituir formulários e modelos de documentos necessários à operacionalização dos benefícios eventuais;

 

IV – avaliação técnica por parte do profissional de serviço social quanto às condições para o recebimento do benefício.

Art. 28Ao Conselho Municipal de Assistência Social compete:

 

I – fornecer ao Município informações sobre irregularidades na aplicação do regulamento dos benefícios eventuais;

 

II – avaliar e reformular se necessário, a cada ano, a regulamentação de concessão, remetendo sua decisão ao Executivo para regulamentação, conforme disponibilidade orçamentária.

 

Art. 29Conforme o art. 13, inciso I, da Lei Federal n.º 8.742, de 1993, caberá ao Estado destinar a sua participação no co-financiamento dos benefícios eventuais junto ao Município, a partir de:

 

I – verificação se está em conformidade com as regulamentações específicas;

 

II – levantamento da situação de vulnerabilidade e risco social do município em índices de mortalidade e de natalidade;

 

III – discussão junto ao Conselho Estadual de Assistência Social.

 

Art. 30São também considerados benefícios eventuais aqueles que têm por finalidade suprir necessidades básicas decorrentes de situações de vulnerabilidades social.

 

Parágrafo único.  As modalidades de que trata o caput deste artigo terão regulamentação específica.

 

Art. 31A regulamentação dos benefícios eventuais e sua inclusão na Lei Orçamentária do Município, bem como sua implementação dar-se-á no prazo da sua publicação.

 

CAPÍTULO IV

 

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

 

Art. 32Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

 

 

MUNICÍPIO DE BARRA DO CHAPÉU, em 08 de julho de 2020.

 

 

 

JANETE SARTI DO AMARAL

Prefeita Municipal de Barra do Chapéu

 

* Nota: O conteúdo disponibilizado é meramente informativo não substituindo o original publicado em Diário Oficial.
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